Como os padrinhos chamam os noivos em Portugal?

Descubra como padrinhos e noivos se tratam em Portugal: nome próprio, os títulos padrinho e madrinha, e porque 'compadre' pertence ao batismo, não ao casamento.

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Kevin HA
Kevin HA

Em Portugal, padrinhos e noivos tratam-se sobretudo pelo primeiro nome ou, em momentos formais, pelos títulos "padrinho" e "madrinha" — nunca por "compadre" ou "comadre"1. Esse par de palavras existe em português europeu, mas designa a relação entre pais e padrinhos de batismo ou, num sentido mais antigo, entre os pais dos noivos, os "consogros"2. Aplicá-lo ao casamento é um uso brasileiro, não uma prática corrente em Portugal.

Resposta rápida: como se tratam padrinhos e noivos em Portugal

No dia a dia, os noivos continuam a chamar os padrinhos pelo nome próprio, tal como faziam enquanto simplesmente amigos ou familiares3. Nos momentos formais — convite, discurso, apresentações a convidados — soma-se o título "padrinho" ou "madrinha" ao nome: "o meu padrinho, o Pedro"4. No casamento civil, essa mesma pessoa é oficialmente uma testemunha, e é assim que assina o assento de casamento5.

Porque não se diz "compadre" no casamento em Portugal

O par compadre/comadre só é correto, em português europeu, para a relação entre os pais de uma criança batizada e os respetivos padrinhos1. A Academia das Ciências de Lisboa regista ainda um segundo sentido: "compadre" como o pai do genro ou da nora em relação aos sogros deste, ou seja, sinónimo de consogro2. Nenhum dos dois significados cobre a relação entre um padrinho de casamento e o noivo ou a noiva — por isso o termo simplesmente não aparece neste contexto em Portugal.

Padrinhos ou testemunhas? A distinção portuguesa

Em Portugal, a palavra usada depende do tipo de cerimónia. No casamento civil, a lei chama-lhes testemunhas; no casamento religioso, mantém-se "padrinhos"5. Muitas vezes são as mesmas pessoas, escolhidas para desempenhar as duas funções ao mesmo tempo — mas o título formal muda consoante o local da celebração4.

Pelo Código do Registo Civil, o assento de casamento é assinado por entre duas e quatro testemunhas, que têm de ser pessoas idóneas e maiores de idade; podem ser familiares dos próprios noivos6. Na prática, a conservatória do registo civil costuma pedir uma testemunha por cada noivo5. Nos casamentos católicos, é ainda comum exigir-se que o padrinho ou a madrinha sejam batizados, embora o pároco possa flexibilizar esta condição em casos específicos4.

Quantos padrinhos, por tradição, tem um casamento português

Por tradição, cada noivo escolhia apenas um casal de padrinhos — uma única pessoa, ou casal, que representasse um sinal de amizade para toda a vida7. Hoje essa tradição mudou: é comum escolher-se um grupo mais alargado de amigos e familiares para o papel, sabendo que só duas pessoas podem efetivamente assinar como testemunhas, uma por cada noivo37.

Quando há mais pessoas no papel de padrinho do que assinaturas disponíveis, os noivos costumam atribuir-lhes outras funções simbólicas — receber os convidados à entrada da igreja, fazer uma leitura, preparar um discurso — para que ninguém se sinta excluído3.

Como tratar os padrinhos consoante o momento

MomentoTratamento habitualExemplo
Conversa do dia a diaNome próprio"Ana, obrigada por tudo"
Convite formal / texto impressoTítulo + nome"Padrinhos: Ana e Pedro"
Apresentação a convidadosNome + título"Este é o Pedro, o meu padrinho"
Discurso ou brindeNome próprio, tom afetivo"Um brinde à Ana e ao Pedro"
Assinatura no casamento civil"Testemunha"Assina o assento como testemunha
Cerimónia católica"Padrinho" / "Madrinha"Participa na bênção das alianças
Baile da festaNome próprioO padrinho dança com a noiva, a madrinha com o noivo

A última linha reflete um costume ainda presente em festas portuguesas: no baile, é habitual o padrinho dançar com a noiva e a madrinha dançar com o noivo4.

Situações práticas: qual tratamento usar

O padrinho é um tio ou avô. Continue a tratá-lo como sempre tratou — "Tio Marcos" — e destaque o novo papel apenas nas apresentações a estranhos: "este é o meu tio Marcos, que é também o meu padrinho". Preserva a relação familiar sem criar confusão.

O padrinho é um amigo da mesma geração. O nome próprio continua a ser o tratamento natural no dia a dia. Nas fotografias, no discurso ou no convite, o título "padrinho" marca a ocasião sem soar formal demais.

O padrinho é superior hierárquico — chefe ou professor. Mantenha o tratamento profissional habitual no contexto de trabalho. Fora desse ambiente, nos preparativos do casamento, o primeiro nome é apropriado e reforça a proximidade da escolha.

Casamento religioso tradicional. Durante a cerimónia, o título "padrinho" ou "madrinha" é o mais adequado, sobretudo se houver bênção das alianças. Fora da igreja, a informalidade do dia a dia volta a ser bem-vinda.

Como apresentar os padrinhos aos convidados

A forma mais simples e mais usada em Portugal é apresentar pelo nome seguido do papel: "Este é o Pedro, o meu padrinho de casamento"3. Em agradecimentos públicos durante o discurso, o coletivo "os nossos padrinhos" é o mais comum e mantém o tom afetivo sem soar pretensioso4.

Ao convidar formalmente alguém para o papel, muitos casais preferem um gesto especial — um jantar, um convite personalizado, ou uma pequena caixa com uma garrafa de espumante — em vez de um simples pedido verbal4. O tratamento que vem depois, no entanto, raramente muda: continua a ser o nome próprio de sempre.

Conclusão

Em Portugal, a etiqueta é simples: nome próprio no dia a dia, título "padrinho" ou "madrinha" nos momentos formais, e nunca "compadre" ou "comadre" — um termo que a língua portuguesa reserva para o batismo12. O mais importante continua a ser a genuinidade do vínculo, não a palavra escolhida para o descrever.

Sources and References

Footnotes

  1. Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, Compadre e comadre, 2025. https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/compadre-e-comadre/19179 2 3

  2. Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, O significado de compadres, 2025. https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/o-significado-de-compadres/33224 2 3

  3. Casamentos.pt, Quem são e o que fazem os padrinhos de casamento? Um guia para simplificar, 2025. https://www.casamentos.pt/artigos/quem-sao-e-o-que-fazem-os-padrinhos-de-casamento-um-guia-para-simplificar--c8793 2 3 4

  4. Casamentos.pt, Padrinhos de casamento: tudo o que precisam de saber sobre as suas funções, 2025. https://www.casamentos.pt/artigos/os-padrinhos-do-casamento--c4182 2 3 4 5 6

  5. Casamentos.pt, Testemunhas casamento civil: o guia que precisas para escolhê-las, 2025. https://www.casamentos.pt/artigos/as-testemunhas-no-casamento-civil--c4362 2 3

  6. Portugal, Código do Registo Civil (Decreto-Lei n.º 131/95, de 6 de junho), Artigos 45.º e 46.º. https://www.pgdlisboa.pt/leis/lei_mostra_articulado.php?nid=682&tabela=leis

  7. Zankyou.pt, Como escolher bem os padrinhos para o seu casamento: 20 perguntas decisivas, 2025. https://www.zankyou.pt/p/como-escolher-bem-os-padrinhos-para-o-seu-casamento-20-perguntas-decisivas 2

Perguntas frequentes

Como os padrinhos chamam os noivos em Portugal?
Pelo primeiro nome, tal como antes de serem escolhidos padrinhos. Não existe em Portugal um termo especial para o noivo ou a noiva chamarem o padrinho — usa-se o nome próprio ou, em contexto formal, o título 'padrinho'/'madrinha'.
O termo compadre ou comadre é usado no casamento em Portugal?
Não. Em português europeu, 'compadre/comadre' designa apenas a relação entre pais e padrinhos de um batismo — ou, num sentido mais antigo, entre os pais dos noivos ('consogros'). Não se aplica à relação entre padrinhos e noivos.
Quantos padrinhos é tradicional ter num casamento em Portugal?
Tradicionalmente, cada noivo escolhia apenas um casal de padrinhos. Hoje é comum alargar o papel a um grupo maior de amigos e família, mas só duas pessoas podem assinar como testemunhas, uma por cada noivo.
Padrinhos e testemunhas são a mesma coisa em Portugal?
Não oficialmente. No casamento civil, a lei chama-lhes testemunhas; no casamento religioso, mantém-se 'padrinhos'. Muitas vezes são as mesmas pessoas, escolhidas para desempenhar as duas funções.
Quantas testemunhas são precisas no casamento civil em Portugal?
A conservatória pede habitualmente uma testemunha por cada noivo. O Código do Registo Civil permite entre duas e quatro testemunhas por casamento, desde que sejam pessoas idóneas e maiores de idade.
É preciso ser batizado para ser padrinho num casamento católico?
Em muitos casamentos católicos, sim, essa é a exigência habitual da igreja. A condição pode ser flexibilizada pelo pároco em casos específicos, por isso vale sempre confirmar antes.
Como apresentar os padrinhos aos convidados?
A forma mais comum é o nome seguido do papel: 'Este é o Pedro, o meu padrinho de casamento'. Em discursos e agradecimentos públicos, usa-se o coletivo 'os nossos padrinhos'.
Posso chamar o meu padrinho só pelo nome próprio?
Sim, é a forma mais usada no dia a dia em Portugal. O título 'padrinho' ou 'madrinha' fica reservado para momentos formais, como o convite, o discurso ou a apresentação a convidados.

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